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sábado, 1 de janeiro de 2011

Biotônico

Uma das coisas mais interessantes que ouvi recentemente foi o programa “Biotônico”, criação de Zeca Baleiro e apresentado por ele, Celso Borges e Otávio Rodrigues. Veiculado através da Rádio Uol e acessado através do site oficial de Zeca (www.zecabaleiro.com.br), o programa é um bálsamo para quem como eu, é apaixonada por rádio e tem uma forte ligação com esse veículo de comunicação. Minha memória mais antiga ligada ao rádio é ouvir em um daqueles rádios enormes a novela radiofônica de aventuras chamada “ O anjo”, creio que pela Rádio Nacional, não tenho certeza. Mais tarde um pouco, lembro com carinho de programas como “Peça Bis ao Muniz” da Rádio Globo, quando eu ligava várias vezes, pedindo a música “Help”dos Beatles, isso lá por 1966, por aí. Outra paixão minha era ouvir a Rádio Tamoio com suas músicas com nomes de cores, pedras e flores (música ciclâmen, música topázio e por aí vai). Já nos anos 70 eu adorava a Rádio Nacional FM, com as entrevistas e os lançamentos de discos feitos pelo apresentador e produtor Darci Marcelo. Me lembro que quando as FMs começaram , elas eram estações bem segmentadas como a Eldo-POP por exemplo. Nos anos 80 cheguei a ser locutora por algum tempo de um programa sobre Beatles em uma rádio AM do RJ, a Rádio Capital, mas foi apenas uma experiência amadora e uma falta total de opção do produtor do programa, meu saudoso marido. Dizem que quem trabalha uma vez com rádio se apaixona e nunca mais quer deixar o meio. Eu sempre gostei de rádio e creio que se tivesse trabalhado em uma estação fosse como produtora, discotecária ou até mesmo na parte burocrática eu teria sido muito feliz.

Em uma época em que a lista dos 50 discos da década, recém publicada pela Folha de São Paulo, deixa qualquer pessoa com um mínimo de bom gosto musical de cabelos em pé, é maravilhoso a gente ter a opção de ouvir um programa genial, com textos e tiradas extremamente inteligentes e opções musicais que incluem nomes e gêneros os mais diferentes possíveis, indo de Odair José até artistas como Madan, Nei Lisboa, Nelson Coelho e Castro e Lula Cortes por exemplo, compositores/cantores talentosos mas que pouca gente conhece, infelizmente. Talvez agora com a divulgação desses nomes através do “Biotônico” eles fiquem mais conhecidos pelo público mais jovem que acompanha a carreira tão bem trilhada e cuidadosa que Zeca Baleiro vem construindo desde 1997.

Parece que ando a “puxar o saco” do Zeca ultimamente, mas não preciso disso e muito menos ele. Que culpa tenho eu se Baleiro é um dos artistas mais talentosos que já surgiu nos últimos tempos e não para de produzir projetos de qualidade ? Que venham outros e que seja longa a estrada iluminada de Zeca Baleiro e no mais muito “Biotônico” na veia!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Bala na Agulha - Zeca Baleiro


BALA NA AGULHA – ZECA BALEIRO – Editora Ponto de Bala – 229 págs - 2010

Ganhei de presente de Natal, da minha amiga Rô Serafim (de SP), o livro “Bala na Agulha” de Zeca Baleiro e com direito a autógrafo ainda por cima. Sem dúvida nenhuma um dos artistas mais importantes e criativos de sua geração, Zeca se supera a cada novo projeto. Eu costumo dizer que Baleiro é o “sonho de consumo” de qualquer fã. Sempre antenado em tudo que acontece à sua volta e traduzindo isso na forma mais bela e pura de arte, Zeca mais uma vez acerta em cheio no alvo com suas balas de recheios variados e sempre deliciosas de se curtir até o finzinho.

“Bala na agulha” é um deleite, da primeira à última página. Traz textos sobre os mais diferentes assuntos, desde futebol, costumes, rádio e até música! Eles foram feitos para o site de Zeca, mas o livro traz também frases e até um “dicionário” à la baleiro.

É bem interessante você conhecer a opinião do artista que você gosta sobre os mais diversos temas e quando ele escreve bem, é melhor ainda. Recomendo a todos a leitura do livro.

Na foto Zeca e Rô Serafim no lançamento do livro em SP.


terça-feira, 8 de junho de 2010

Zeca Baleiro e Paulinho Moska

Zeca Baleiro e Paulinho Moska no Programa "Zoombido" - Canal Brasil - 5a feiras - 21:30 hs
Eles são da mesma geração, tem praticamente a mesma idade e com certeza tiveram as mesmas influências musicais, mas as semelhanças não param por aí. Dois excelentes cantores e compositores da MPB, Zeca Baleiro e Moska tem trabalhos que extrapolam suas próprias carreiras individuais e que os tornam dois artistas preocupados em preservar e manter a memória de nossa música.

Extremamente inteligentes e antenados com o mundo, Baleiro e Moska tem uma dedicação especial com a nossa música. O maranhense faz, através de seu projeto “Baile do Baleiro”, a ponte entre os artistas que ele admira (e que em sua maioria estão fora da mídia) e o seu grande público, geralmente bem jovem, fazendo com que nomes importantes sejam conhecidos pelas novas gerações. Com seu selo “Saravá Discos”, Zeca também lança projetos importantes como o CD com canções até então inéditas de Sérgio Sampaio, lança nomes como Antonio Vieira e ainda relança importantes trabalhos que antes só podiam ser encontrados em vinil, como o belo e instigante LP de Tiago Araripe, Cabelos de Sansão.

Já Moska , com o seu programa “Zoombido” do Canal Brasil, vem construindo há 4 anos um maravilhoso acervo histórico com o depoimento de mais de cem compositores brasileiros de todos os gêneros, criando um painel rico e diverso da canção popular brasileira. Moska também apresenta alguns nomes interessantes da música argentina, chilena, etc. O mais interessante é que a gravadora “Biscoito Fino” comprou a idéia e está lançando o programa em DVDs.

Outra semelhança entre os dois expressivos artistas é sua preocupação em gravar e tocar nos shows músicas de outros compositores, de diferentes épocas, fazendo com que os seus fãs e seguidores sejam sempre surpreendidos e presenteados com um repertório variado e extremamente interessante, ao contrário de alguns artistas que mantém sempre em seus shows as mesmas músicas e que você já sabe até dizer qual a seqüência em que elas serão apresentadas.

Os dois compositores também fazem com que se perca aquela idéia de se “envergonhar” de gostar de canções bem populares, as chamadas “músicas bregas” que fazem parte do imaginário de todos nós, mas que antes eram restritas à uma determinada faixa de público. Hoje todos cantam à vontade músicas de Peninha, Odair José ou Benito de Paula sem qualquer constrangimento.

Muitos cantores e compositores excelentes surgem na MPB, mas da nova geração, Zeca Baleiro e Paulinho Moska tem um diferencial. Eles vão além e prestam um serviço incomparável à memória nacional sem no entanto se descuidarem de suas próprias carreiras que continuam a cada dia mais criativas e sempre com muita qualidade.


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Zeca Baleiro - Show "Influências"

Zeca Baleiro – Show – Influências –SESC Vila Mariana – SP

Release do show:

ZECA BALEIRO

“Ele nasceu José Ribamar Coelho dos Santos, em São Luis do Maranhão, mas logo se tornou Zeca Baleiro, apelido do menino adorador de balas e todo tipo de guloseimas que, inclusive na juventude, abriu uma loja de tortas e doces caseiros,a Fazdocinhá – nome tirado de uma tradicional cantiga de roda. Sua paixão pela música tomou corpo quando começou a compor melodias para peças infantis e partiu para São Paulo, onde tentaria carreira artística mais sólida. Mesclando samba, pagode, baião, rock, pop e música eletrônica, Zeca gravou em 1997 seu primeiro disco “Por onde andará Stephen Fry?” , mas só atingiu maior repercussão após a participação no Acústico MTV de Gal Costa, onde cantou em dueto a canção “À flor da pele”. Nos anos seguintes lançou cinco álbuns com participação de cantores como Rita Ribeiro, Lobão, Arnaldo Antunes, Elba Ramalho, Moska, Fagner, Zeca Pagodinho, entre outros. Hoje, com mais de dez anos de carreira, o cantor acumulou 5 discos de ouro, 3 prêmios Sharp (1998), 3 indicações para o Grammy Latino, além de ser eleito Melhor Cantor pela APCA (1998 e 2003). Desde 2005 Zeca possui o selo Sarava Discos, que reúne produções musicais com foco na documentação e resgate de obras essenciais para a cultura brasileira. Com distribuição própria, o selo lançou diversos álbuns, entre eles, um CD póstumo de Sérgio Sampaio, só com inéditas, e um disco com poemas da escritora paulista Hilda Hilst, musicados por Baleiro e interpretados por cantoras como Ângela Maria, Ângela Rô Ro, Maria Bethânia, Mônica Salmaso e Zélia Duncan.

DE LUIZ GONZAGA À BOB DYLAN – AS INFLUÊNCIAS DE BALEIRO

Zeca Baleiro sempre destacou o rádio como sua maior influência: “Ouvi muito rádio na infância, assim como presenciei muitas festas populares, na rua, às vezes em frente da minha casa. Nasci em São Luis por acidente, mas vivi toda a infância em Arari, uma cidade da Baixada Maranhense, região culturalmente muito rica. Isso tudo está no meu trabalho, de forma às vezes mais diluída, às vezes mais explícita.”
O cantor também aponta, entre suas influências, Luiz Gonzaga e Bob Dylan: “Dois exemplos extremos de integridade artística e beleza. Mas há muito mais gente entre eles. Ouvi muito samba, minha mãe gostava muito de Noel, Wilson Batista, Ismael Silva...Adoro Jackson do Pandeiro, João do Vale. Gosto de rock, folk e blues. Também ouvi muita música africana.” Assim como a cultura de sua terra, o Maranhão, o Nordeste se faz presente em seu estilo: “Talvez não de uma forma muito óbvia e estereotipada, mas o Nordeste é algo muito forte na minha música, está presente em quase tudo que faço.”

O SHOW

Em formato intimista, o cantor e compositor Zeca Baleiro apresenta repertório de artistas que influenciaram sua carreira como Camisa de Vênus, Cartola, Walter Franco e Assis Valente – além de mostrar canções autorais inéditas e antigos sucessos.

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Estive em 2 dos 3 shows realizados por Zeca Baleiro no SESC – Vila Mariana – SP de 29 a 31 de janeiro. Fiquei impressionada com a qualidade do som da sala o que favorece, e muito, a realização de um espetáculo como esse, no formato acústico. Contando com o fiel companheiro de estrada, Tuco Marcondes, Zeca acrescentou o talentoso e premiado músico e produtor Swami Júnior para a excelente temporada de três dias no SESC.

O projeto “Influências” é mais uma vitoriosa realização do SESC de São Paulo que sempre promove shows interessantes e que fogem do padrão normal. A próxima atração do projeto é a cantora Wanderlea.

Sempre muito à vontade no palco e em sintonia perfeita com seu público, Zeca Baleiro apresentou nos 3 dias de show, não só as músicas de autores que o influenciaram como também algumas inéditas de sua autoria . “Armário” foi uma delas. Uma canção cheia de ironia e malícia , no melhor estilo de Baleiro. Canções que ele ouviu em sua infância , músicas de domínio público também fizeram parte do repertório. “Blackbird” de Lennon &McCartney e “Daniel” de Elton John e Bernie Taupin - que fazem parte da memória afetiva de todos que viveram a década de 60/70 - também estavam lá. Cartola, Assis Valente, Walter Franco, Geraldo Azevedo e Fagner foram outros compositores interpretados por Baleiro.

Um show enxuto, muito bem produzido e que mostra a maturidade musical de Zeca Baleiro que se encontra em um momento especial de sua carreira. Totalmente seguro do que quer, explorando ao máximo a sua popularidade para trazer ao seu público autores excelentes que nem sempre são divulgados como é o caso de dois compositores que ele escolheu: Lula Cortes , o pernambucano que fez um disco “cult”com Zé Ramalho nos anos 70 – Paêbiru- mas que lançou outros trabalhos excelentes, no estilo pop-rock e o conterrâneo de Zeca, Chico Maranhão, que também tem belos trabalhos, porém sem ter alcançado o grande público.
Da mesma forma que faz com o seu projeto “Baile do Baleiro”, onde convida cantores e autores que nem sempre estão na “mídia”, Zeca fez desse belo projeto realizado pelo SESC de São Paulo mais um ponto positivo em sua vitoriosa carreira.
* As duas fotos que ilustram a postagem foram gentilmente cedidas por Nei Lee. A primeira, no topo , ilustrava o folder com o release do show.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Zeca Baleiro

Ele despontou na cena musical brasileira a partir de 1997 , quase ao mesmo tempo em que o parceiro, contemporâneo e também nordestino, Chico César estourava nas paradas de sucesso com “Mama África” e “A primeira Vista”. Imediatamente seu talento como compositor chamou a atenção de Gal Costa, que em julho do mesmo ano o convidou para participar do seu CD Acústico, cantando Vapor Barato e Flor da Pele. Logo em seguida muito já se falava de Zeca Baleiro e da criatividade e ousadia de seu primeiro trabalho -“Por onde andará Stephen Fry” - um CD que já mostra a que veio o compositor e cantor maranhense. Seu primeiro registro solo revela o grande compositor que é, com baladas que se tornariam antológicas como “Bandeira”, “Flor da Pele”, “Skap”, mas também mostrando o seu lado irônico – uma característica de sua personalidade- presente em várias músicas como “O Parque de Juraci” , “Kid Vinil” e “Dodói”.
Outro destaque interessante do Cd é a participação de artistas que aparentemente não tem muito a ver um com o outro como Wanderléa e Genival Lacerda, por exemplo, mas que mesclados na arte única de Baleiro, tem tudo a ver.

Em 1999, no trabalho seguinte, ele resolveu Imbolâ e chegou pilotando a sua Sigfrida e com um visual um tanto over e tecnobrega, mas a qualidade e originalidade do trabalho não ficam nada a dever ao primeiro disco. Lá está Luiz Gonzaga –com a excelente “Pagode Russo”, misturado com Zeca Pagodinho – na impagável “Samba do Approach - e a sempre boa lembrança de Sérgio Sampaio com “Tem que acontecer”. As baladas com a assinatura incomparável de Baleiro estão de volta com “Lenha” e “”Meu amor meu bem me ame”. Também digna de nota é a versão dele para “Disritmia”, um clássico de Martinho da Vila.

Em seu terceiro disco, Baleiro mais uma vez surpreende e se despoja dos adereços, aparecendo com um visual quase clean e com um trabalho lírico e poético. Neste CD , de 2000, ele opta por mostrar apenas canções “Líricas” e registra sua parceria com a poeta Alice Ruiz em “Quase Nada”. O disco todo é excepcional e marca a consolidação da carreira de Zeca e registra sua segurança como intérprete. Outra característica importante nos trabalhos de Zeca é que ele sempre fala do Maranhão e das coisas de lá sem ser regionalista. Ele é universal e local, na dose certa.

Nos seus projetos seguintes, “Pet Shop Mundo Cão”e “Baladas do Asfalto e outros Blues”, Zeca Baleio continua a montar seu mosaico de canções, do pop ao funk, passando por músicas como “Filho da Veia” de Luiz Américo e Braguinha. Acima de tudo, Zeca é um cantor e compositor popular, como ele mesmo gosta de afirmar. Ele consegue trazer à tona canções que estão no inconsciente do povo brasileiro, mas que muitas vezes por preconceito ou outros motivos só são despertadas e viram sucesso quando alguém como ele as coloca na vitrine.

Outra característica que ressalta na carreira de Zeca é sua capacidade de aglutinação. Com a criação do projeto “Baile do Baleiro - uma série de shows em que ele apresentava nomes novos e já conhecidos e cantava com eles suas canções - ele conseguiu trazer à público nomes um tanto esquecidos e sem visibilidade na mídia mas que precisavam apenas de um empurrão de uma liderança como ele para que fossem aplaudidos (e re-descobertos) nos shows.

A criação do selo “Saravá Discos” é mais um gol de placa de Zeca Baleiro que consegue assim trazer para seu público mais jovem produtos de muita qualidade como o disco “Ode Descontínua para Flauta e Oboé” em que ele musicou poemas de Hilda Hilst ou ainda a remasterização de um disco importante e que só existia em vinil o “Cabelos de Sansão” do cearense Tiago Araripe, lançado nos anos 80. “Cruel”, outro grande lançamento da Saravá Discos traz à tona as canções do incrível Sérgio Sampaio, um compositor que inspirou Zeca e que deve ser sempre lembrado, pois seu trabalho é mais atual do que nunca.

É impossível não mencionar também outro projeto importante e fundamental que foi o disco e o DVD que ele fez em dupla com Raimundo Fagner . Uma parceria vitoriosa e costurada a quatro mãos (Zeca, Fagner, Sérgio Natureza e Fausto Nilo) que trouxe novo gás à Fagner, na época um tanto desanimado com os rumos de sua carreira , e que trouxe benefícios aos dois artistas. Muitos jovens que não conheciam Fagner passaram a conhecer seu trabalho e mais tarde freqüentar seus shows, como também foi dessa forma que muitos fãs do cantor cearense foram conquistados pelo talento do jovem artista maranhense.

Sempre atento e antenado, Zeca Baleiro também não deixou passar despercebidas as participações que faz em discos de outros artistas e decidiu lançar o CD “Lado Z” em que registra as músicas que divide com outros artistas em seus discos.

Com o novo trabalho “O coração do homem bomba Vol 1”, Baleiro se mostra mais do que nunca como um artista de seu tempo, maduro e em perfeita sintonia com seu público. Ele sabe exatamente o que quer de sua carreira e não se deixa abalar pelos brilhos do sucesso. Só nós resta aguardar as novas guloseimas que virão , pois criatividade, talento e carisma o maranhense tem de sobra.
Crédito das fotos:
1- Close-P&B - Everton Ballardin
2-Fagner e Zeca - Klaudia Alvarez
3- Zeca -brinde - Juliana Britto