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quinta-feira, 13 de março de 2025

Elas são baianas!


Há quase cinco anos, no ano mais difícil que vivemos, quando conheci a arte da Coral eu percebi que estava diante de um grande talento e que o reconhecimento de todos seria só uma questão de tempo. Naquele primeiro show dela que assisti, em 2020, em Belo Horizonte eu tive a certeza que o seu caminho seria iluminado. Sabemos bem como é complicado o desenvolvimento da carreira de uma artista independente, ainda mais ela sendo uma pessoa trans, mas, a despeito de tudo, Coral vem, com calma, responsabilidade, engajamento e muita poesia, traçando sua estrada na MPB.

A partir de hoje está em todas as plataformas digitais mais um momento especial de sua trajetória. O projeto Elo-Feat dos Sonhos chegou com a proposta de oferecer aos artistas independentes a oportunidade de gravar uma canção autoral com alguém já com um caminho consolidado na música. E dando ênfase aos diferentes estilos musicais de todas as regiões do país.
Foram mais de mil artistas inscritos e apenas dez seriam selecionados por um time de curadores convidados.
Coral ficou entre eles e optou pelo ritmo de seu estado natal: o axé baiano.

Quem já foi a algum show da Coral já ouviu EU SOU BAIANA, uma canção linda, que fala sobre as impressões da artista sobre sua primeira visita ao Rio de Janeiro e que não foi feita pensando em um axé, mas com o novo arranjo para o Feat dos Sonhos se encaixou perfeitamente no contagiante ritmo que mexe com todo mundo. E é essa versão incrível de Coral cantando com quem mais entende de axé no país -
Daniela Mercury-
que chega hoje para abrilhantar mais ainda o caminhar da baiana de Jequié.

2025 promete ser um ano especial na carreira de Coral já que ela acaba de se mudar para São Paulo, depois de anos radicada em Belo Horizonte. Tudo indica que também teremos o lançamento do primeiro disco completo da artista, depois dos EPs e vários singles que ela lançou desde que se lançou no mercado, em plena pandemia. Que venha mais poesia dessa artista tão fundamental e necessária. A MPB se enriqueceu com a chegada de Coral e ela ainda tem muita Arte para nos oferecer. Muito axé pra ela e pra todes nós!





 

quarta-feira, 12 de junho de 2024

Sérgio Pererê - Canções de Outono


 Hoje, 12 de junho é o dia de se comemorar, aqui no Brasil, o Dia dos Namorades. Mas, convenhamos que nem todo mundo está namorando ou está com alguém importante em sua vida. Acho que foi pensando nessas pessoas que talvez tenham rompido um relacionamento recentemente ou até mesmo que ainda não encontraram "aquela" outra metade, que Sérgio Pererê compôs as canções que estão em seu mais recente trabalho CANÇÕES DE OUTONO, lançado hoje nas plataformas.

Sérgio Pererê é um multiartista mineiro que ama pesquisar instrumentos diferentes e é daqueles compositores super criativos que costuma lançar mais de um álbum por ano. 

Nesse novo trabalho ele convidou só cantoras para dividir os vocais com ele nas 14 faixas do álbum cujo tema comum às canções é o amor. Às vezes o amor que deixou saudade, o que terminou ou  aquele que ainda vai chegar. 

Quem abre o disco, que está primoroso, é a cantora baiana, radicada atualmente em Bh, Coral. Pererê foi o convidado da artista em um dos primeiros shows com plateia reduzida que Coral fez em Belo Horizonte, em 2020 e, dali em diante, os laços de amizade e de trocas musicais entre ela e Pererê se solidificaram. DO NADA, a primeira música, já revela o clima delicioso que está presente em todo o disco.

Outras grandes cantoras convidadas são Jéssica Gaspar, Irma Ferreira, Alda Rezende, Mônica Salmaso, Lia de Itamaracá, Azzula, Maíra Freitas, Letrux, Fernanda Takai, Talita Sanha, Nath Rodrigues, o trio Amaranto e Tetê Valadares. Artistas de diferentes regiões que deram sua contribuição para esse trabalho tão especial que Sérgio Pererê entregou hoje ao mundo.

São vários os ritmos das canções e também são muitos os instrumentos tocados pelo seu idealizador.  Todas as canções são lindas e interpretadas de forma sensível e tocante. Disco impecável e que recomendo a todes que curtem canções bem feitas e que nos "pegam" desde a primeira audição.

No próximo domingo, 16/6, Sérgio Pererê fará o show de lançamento do álbum, às 19h no Sesi MG, e terá como convidada Coral. Uma banda com musicistas mulheres estará acompanhando o artista. Os ingressos podem ser adquiridos pelo Sympla e o valor é bem acessível.  

Ouçam o disco nas plataformas, vão ao show e espalhem bem muito esse trabalho lindo de um artista que só faz dar orgulho à sua terra. Vivam intensamente esse Outono e suas canções recheadas de amor e afeto. É Sérgio Pererê e convidadas fazendo o melhor que sabem: nos encantando com sua arte e suas vozes privilegiadas.



terça-feira, 6 de junho de 2023

Coral no Itaú Cultural - 4/6/2023

Existem palcos e Palcos, mas, com certeza, a Sala do Itaú Cultural, na Av. Paulista, está na categoria dos palcos com letra maiúscula. Proporcionando uma estrutura perfeita para os artistas que lá se apresentam, a Sala já se consolidou como uma das grandes vitrines da arte em São Paulo. 

A curadoria atual, sob o comando de Galiana Brasil, está promovendo uma programação que contempla a diversidade
mostrando a riqueza da cultura brasileira em toda a sua complexidade e beleza. A mostra Todos os gêneros, que apresentou vários espetáculos focalizando as drag-queens do país, a cultura ballroom, entre outros temas, se encerrou no último domingo cm um show impecável da cantora, poeta, compositora e instrumentista baiana CORAL. 

Acompanhada de Pedro Fonseca (guitarra e direção musical) e Yuri Vellasco (bateria) Coral apresentou canções que fazem parte dos dois EPs já lançados por ela, assim como canções de seu repertório e ainda inéditas.  Compositora de verve poética, com uma presença de palco arrebatadora e com um timbre lindo, Coral brindou a plateia, que lotou a sala, com 15 canções.

O show contou também com projeções feitas por Raquel Diógenes (@desenharaquel) em tubos espalhados pelo palco que mostravam cenas da carreira de Coral, assim como momentos pessoais da artista e outras cenas que tinham a ver com as canções. Um must que só enriqueceu o espetáculo tão bem feito e planejado.

Sem dúvida alguma, Coral é das grandes revelações recentes da MPB e merece um lugar de destaque na nossa música porque suas composições são extremamente bem feitas e cheias de poesia, sem no entretando, deixar de falar da realidade dura que atinge o público LGBTQIAPN+, seu lugar de fala.

Lista das canções apresentadas por Coral na Sala Itaú Cultural

Recomendo demais que todes sigam a carreira de Coral (@aocoral em todas as redes sociais e nas plataformas de música)
porque se trata de uma artista que tem muito a contribuir para a cultura e a boa música brasileira contemporânea.

Da mesma forma, sugiro que fiquem atentos à programação do Itaú Cultural, que nesta semana traz quatro shows, cada dia com convidados diferentes, da paraibana Cátia de França, um ícone da música nordestina.

Vida longa ao Itaú Cultural e por uma programação cada vez mais diversa e plural. A cultura agradece.
Coral clicada no show por @alexandrecalladinnifoto

 


sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Coral - Os Loucos Anos XX

 

Eu não tenho dúvida alguma que Coral, cantora, compositora e instrumentista trans não binária e proveniente da cidade de Jequié, BA é uma das artistas mais criativas e talentosas da MPB de todos os tempos.

Fazendo jus à terra onde nasceu, berço de artistas geniais como Wally Salomão e Zéu Britto, Coral é dona de uma verve poética única que usa com maestria ao compor canções nos mais diversos ritmos. Coral é daquelas compositoras que não para de criar e são muitas(e excelentes) suas músicas, a maioria delas ainda inéditas.

Vivendo e construindo sua carreira artística em Belo Horizonte, pra onde se mudou pouco antes da pandemia, Coral já é um nome importante da música independente feita na capital mineira e participa ativamente da cena musical da cidade, além de já ter se apresentado em outras capitais como Salvador e São Paulo.

O mais recente trabalho de Coral se chama OS LOUCOS ANOS XX e foi lançado com o apoio da Casa Natura Musical, edital com o qual a artista foi contemplada em 2020. Trata-se de um EP visual que tem 6 gravações e quatro video clips. O projeto foi concebido por Coral em parceria com suas duas produtoras Isadora Mayrink e Camila Mello. Produção musical de Thiago Braga e filmagens de Thiago Nascimento. Além de uma grande equipe de colaboradores e figurantes nos vídeos.

Foi lançado ontem, 22/9/22 o último clipe do projeto - Natal - fechando assim o EP visual que começou a chegar às redes no dia 11 de agosto com a faixa ANUNCIAÇÃO que apresentava o que estava por vir.

Usando de toda a sua sensibilidade, Coral fez um paralelo entre os acontecimentos históricos dos anos 20 do século passado e tudo que estamos vivenciando agora. Observando a História que parece se repetir de forma cíclica, a artista criou, com sua equipe, toda uma estética que remete a um sertão nordestino no futuro. Foram usadas alegorias características da região, como a cabra, animal presente na maioria das casas do interior brasileiro, assim como referências ao cangaço. Tudo adaptado à vivência não binária da artista e a um futuro onde a mulher e as pessoas trans sejam protagonistas e donas de seus destinos. O resultado é magnífico, com Coral provando que além de suas preciosas qualidades musicais também possui talento para as artes cênicas.

Recomendo demais que quem ainda não conhece o trabalho de Coral que siga a artista em suas redes sociais (@aocoral) e, principalmente, que compareça a algum show de Coral. A presença de palco da artista é impactante, assim como sua simpatia. Um talento genuíno e raro. Daqueles que tem tudo pra marcar presença forte na cena cultural do Brasil. Alguém que nasceu para brilhar nos palcos do mundo e honrar a MPB com seu talento. Guardem bem esse nome: CORAL.

EP VISUAL OS LOUCOS ANOS XX

Disponível nas plataformas digitais e no You Tube no canal @aocoral

-Anunciação

-O fim do mundo

-O jogador e a cartomante

-Manifesto

-Rainha de paus

-Natal



quinta-feira, 16 de setembro de 2021

CARNE: EP de Coral


Está nas principais plataformas de streaming, a partir de hoje, 16/9/21, o primeiro EP de Coral, essa artista gigante que veio da Bahia para enriquecer, ainda mais, o meio musical já tão fértil de Belo Horizonte. Como fã e alguém que acompanha a carreira de Coral há um ano, eu imaginava que o lançamento seria do álbum AoCoral ou da mixtape Os loucos anos XX, mencionados pela artista em suas lives e nas redes, mas, por uma estratégia criada por ela e pela sua equipe, optou-se por lançar primeiro o EP CARNE. São quatro canções, compostas nesse período da pandemia e refletem totalmente a posição clara da artista perante à sociedade, o mundo atual e seus anseios pessoais.  São canções autorais e parcerias de Coral com Max Teixeira, seu parceiro mais constante e Clara Delgado, a poeta mineira que declama os versos na faixa PARTIDA.

O que dizer desse trabalho impecável que Coral apresenta ao mundo? Como admiradora ardorosa e declarada da artista fica complicado pra mim fazer uma análise fria e com distanciamento das canções. Amo todas e considero os arranjos e tudo mais que as vestem perfeito. Das quatro lançadas Coral já apresentava três delas em suas lives e nos shows que fez. PARTIDA porém é novíssima e eu ainda não a conhecia. 

Compositora talentosa e com facilidade para criar novas melodias e poesias, Coral tem um repertório imenso que daria para encher uns três discos completos fácil fácil, mas é preciso ter sabedoria para escolher o momento certo para cada ação em uma carreira e o lançamento de CARNE é oportuno e correto.

Recomendo demais que conheçam o novo trabalho de Coral, assim como as outras canções lançadas anteriormente como singles e disponíveis nas plataformas. O canal da artista no You Tube também tem os shows e festivais em que participou e hoje, às 18h, estreia no canal o clipe da primeira faixa do EP  TÁ ME ENTENDO, PAI? Em outubro virá novo clipe.

Com sua poesia contundente, sua presença de palco perfeita e seu violão personalíssimo, Coral chegou para somar seu talento à lista das grandes artistas da nossa música. Agora é torcer para que os shows voltem logo  e Coral possa viajar, mostrando ao vivo em vários lugares todo o seu talento visando a  conquista de novas plateias e jogando sua mensagem atual e necessária por esse mundo afora. 



 

sábado, 16 de janeiro de 2021

Coral


Eu ainda não consegui mensurar a força, o peso, o impacto que as canções de Coral provocam em mim. Desde a primeira vez que ouvi, uma sensação de completude, de preenchimento, de atravessamento me levam para uma dimensão especial. É um trato tão fino, sofisticado e bem elaborado que as canções possuem que me dão a impressão que a arte se materializa, se torna concreta e paupável na voz de Coral. São tantas camadas e tessituras se entrelaçando com os acordes ora fortes, ora suaves do seu violão que não há racionalidade para explicar. Tudo ocorre no nível das sensações, do sentimento. Eu sou levada pra um lugar (um mar repleto de corais talvez?) onde queria morar pra sempre, com essas notas e letras se repetindo incessantemente e sem me cansar de ouvir. É optar pelo repeat eterno. Poucas vezes vi alguém tratar tão bem as palavras, colocá-las no colo e embalá-las com tanta delicadeza, inteligência e cuidado. Acho que só tem uma palavra pra me definir desde que mergulhei no universo poético de Coral: arrebatada. Completamente. Sem possibilidade de retorno. E quem disse que quero retornar? Desejo apenas caminhar e acompanhar, até quando eu puder, esse florescer artístico. Admirar e sentir a beleza, a profundidade e a luz que brotam desse talentose ser. Que a deusa diga sim.

 


segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

O Nascimento de uma supernova

Estamos a poucos dias de terminar o ano que talvez tenha sido o mais difícil da nossa era moderna. Nunca um evento afetou todo o mundo como o que passamos, ou melhor, ainda estamos passando. E nós, aqui, pior que qualquer outro país no mundo, não preciso nem dizer o porquê. Mas quero falar do que se pode tirar de positivo de todo esse caos, principalmente no aspecto das artes. As lives já existiam, lógico, só que quase ninguém usava o recurso. Com o advento da pandemia elas se tornaram populares e os artistas, em sua maioria, aderiram ao formato e passaram a ter uma relação bem mais próxima com seu público. Eles praticamente nos deixaram entrar em suas casas e mostraram suas "humanidades" e fragilidades. Foi maravilhoso essa mudança de relação artista/público. A ideia de que os artistas vivem em um mundo à parte caiu de vez por terra. E foi ótimo ver que artistas consagrados como Teresa Cristina, por exemplo, usou de seu espaço para divulgar outros artistas, de várias regiões do país que, de outra forma, não teriam acesso a esse público. Se a pandemia não tivesse acontecido, provavelmente não teríamos conhecimento de tantos talentos que puderam aparecer nesse momento. A arte florescendo no meio da tragédia. A arte nos confortando e dando esperança pra que a gente siga adiante. Eu quero falar, em especial,de um/uma artiste que se destacou nessa avalanche de lives musicais e de entrevistas que assistimos nos últimos nove meses. Eu poderia descrever o que vi(e estou vendo) como o nascimento de uma estrela supernova no meio do big bang terreno que atravessamos. No meio do caos, surge uma pessoa super talentose, com uma poesia forte, atual e necessária. Com letras que são ao mesmo tempo dilacerantes, que rasgam a hipocrisia e expõem todos os nervos, mas cantadas por uma voz que soa angelical aos ouvidos. São verdades amargas, mas trazidas por uma voz doce, o que não enfraquece a mensagem, ao contrário, só a potencializa. Eu falo de Coral, esse/essa artiste que chega com força do interior baiano, via Belo Horizonte, pra dentro de nossas casas, via lives, e também pra dentro do coração de muitas pessoas. A impressão que tenho, observando a trajetória de Coral, é que o/a artiste foi sendo preparade pra esse momento de sua carreira. A experiência de 15 anos, atuando em bares, nas ruas, em festas e eventos foram uma grande escola pra Coral chegar nesse momento. Até mesmo a construção de sua imagem, de uma identidade artística, foi sendo moldada aos poucos, até chegar no resultado que conhecemos hoje e que nos foi apresentado via lives. Estou mais do que convencida (e não apenas eu)que Coral está pronte pra dar o passo adiante que vai firmar sua carreira e projetá-la a nivel nacional e em seguida internacional. Ter sido contemplade com o edital da Casa Natura 2020 é outro indício, assim como ter tido o perfil na conta do Instagram hackeado, no início de dezembro, também é um sinal. O mal só ataca quem o incomoda e está fazendo "barulho". Coral vem forte no próximo ano. Seu trabalho duro e a construção de uma carreira que chegou pra derrubar velhos paradigmas vão dar frutos. Coral vai brilhar mais ainda como uma supernova recém criada que vai iluminar a escuridão do universo pós big bang. Que venha o primeiro disco, com canções que emocionam e trazem verdades que precisam ser ditas. Que venham os shows por várias cidades. Que muito mais pessoas se deixem atravessar pela poesia de um/uma artiste fundamental nesse momento histórico que vivemos. A Deusa já disse amém. Siga Coral nas redes: @aocoral Se inscreva no canal do You Tube

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

AoCoral ao vivo no Minas Tênis Clube -21/11/20

📷 Klaudia Alvarez

O país acaba de completar 8 meses de uma situação única e inesperada: um isolamento social causado por uma pandemia que transformou a vida de todos nós. Sem dúvida que um dos setores mais atingidos foi o cultural. O primeiro a parar suas atividades e o último a tentar recomeçar. E, justamente por ser o mais criativo, novas formas de comunicação dos artistas com o público foram usadas e as lives se tornaram uma das principais vias. 

Com seu território continental, seus inúmeros talentos musicais e com o main stream dominado por apenas um estilo de música, os artistas independentes e os realmente talentosos usaram, com sabedoria o recurso das lives para atingirem um número muito maior de pessoas. Foi um grande feixe de luz nesse momento tão delicado e difícil que estamos atravessando e eu tive a grata surpresa de conhecer novos artistas que até então não tinham chegado ao meu coração.  Entre eles, um artista se destaca por sua extrema competência, sua sensibidade e sua luz imensa. Falo de AoCoral, um jovem de 30 anos, natural de Jequié, Bahia e atualmente radicado em Belo Horizonte, MG.

Uma amiga me falou sobre ele e fui logo pesquisar. Virou paixão à primeira vista. Um timbre delicioso de se ouvir, um visual único e cativante, um violão tocado com personalidade e letras de arrepiar a alma. Tem combinação mais explosiva? E o resultado é talento à flor da pele.

Passei a acompanhar as lives feitas por AoCoral em seu perfil do instagram e a cada vez me encantando mais com suas letras extremamente poéticas e humanas que falam sobre suas vivências, sobre a luz e sombra que somos. Antes de tudo, Coral é um grande poeta, daqueles que sabem tratar bem e moldar as palavras com extrema sensibilidade. Em uma dessas lives  Coral anuncia que vai fazer um show no Minas Tênis Clube, que vai ser live, mas também será permitido plateia, com poucas pessoas, devido à pandemia. Na mesma hora meu coração de fã, que ama ver de pertinho os artistas que admiro, já começou a bater mais rápido e a vontade de contemplar - em carne e osso - aquela lindeza que tinha me encantado/hipnotizado só aumentava. Para quem costumava sair para shows e eventos culturais quase que diariamente, 8 meses de isolamento total e absoluto eram um tremendo incentivo. Mesmo com todo o risco e apreensão por causa da pandemia, deixei o receio trancado em casa, convidei uma amiga e parceira de loucuras musicais a ir comigo e parti pra BH.

O teatro do Minas Tênis Clube é lindo. Seus mais de 600 lugares sãos perfeitos para um show musical e imagino que incrível deve ser ele lotado. E foi para uma plateia lotada que o show - AlCoral convida Sérgio Pererê - foi planejado e feito.  Com luz e projeções perfeitas, o primeiro show de Coral em um teatro com banda e plateia foi histórico e impecável. Com uma banda super competente formada por Dudu Amendoeira nos teclados, Glauco Mendes na bateria, Pedro Fonseca no contrabaixo e violão e Débora Costa na percussão, Coral fez um belo passeio por suas canções autorais maravilhosas. Deu um show à parte no figurino que tão bem traduz a sua personalidade não binária. Mesmo não sendo ainda um artista com o alcance de público que o seu talento merece e que vai ter, Coral já tem os seus "clássicos". As canções prediletas dos fãs que o seguem com toda a paixão que ele desperta, e entre elas estão "Cigana" e "Fugitivo", praticamente autobiográfica e que abriu o show, com um lindo e emocionado depoimento da avó do artista. Era só o começo das emoções que viriam a seguir em um show perfeito, onde Coral mostra um total domínio do palco e do seu ofício. Aquela sintonia e simbiose entre artista e público que se observa quando um dos grandes pisa no chão sagrado que é o palco. E, para completar, Coral ainda convidou um verdadeiro elfo das montanhas mineiras, o fantástico Sérgio Pererê, que, junto com ele, nos transportou para o lugar mágico das canções perfeitas.

Você pode até acreditar em tudo que leu até agora, mas eu prefiro que você tire a prova dos nove de tudo que falei(ou melhor, escrevi) aqui, porque o Minas Tênis Clube fez a maravilha de registrar o espetáculo completo, que está disponível no canal deles no You Tube.

Se você é uma pessoa sensível, aberta pro novo e gosta de música de muita qualidade e encharcada de poesia, te convido a escolher seu lugar preferido, apertar o play e mergulhar em um mar repleto de corais. Daquele de águas transparentes e profundas. Habitado por seres tão lindos e surpreendentes que seus olhos não cansam de admirar e que sua alma agradece a chance de poder conhecer. Uma hora e quinze minutos passeando por um lugar onde você gostaria de morar. Confira!


SET LIST DO SHOW:

1- Fugitivo (Coral)
2- Cubículo (Coral)
3- O fim do mundo (Coral)
4- Cigana (Coral/Max Teixeira)
5- Tá me entendendo, pai? (Coral)
6- Domador de cavalos (Coral)
7- Woman (Maurício Tizumba/Sérgio Pererê)
8- Exu (Coral/Matheus Soares/Larissa Caldeira)
9- Rainha de paus (Coral)
10- Verso (Coral/Max Teixeira)
11- Contrato (Coral/Max Teixeira)
12- Aro (Coral)
13- Natal (Coral/Max Teixeira)
14- Jequié (Coral)

☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆

E, para finalizar, gostaria apenas de dizer a Coral, artiste, baiane, não binárie - como ele se define - que agradeço demais sua existência. Obrigada por tornar o meu aqui e agora  bem melhor.