domingo, 14 de maio de 2017

Kátya Teixeira no Sesc Belenzinho - 13/05/17

Nestes tempos difíceis, áridos e temerosos em que vivemos, é um grande privilégio poder assistir a um show onde a leveza, a poesia e a ARTE predominam. Kátya Teixeira e seus convidados fizeram um show impecável ontem, no Sesc Belenzinho. Com o seu " terreiro" montado no palco, Kátya esbanjou talento e simpatia ao apresentar seus violões e interpretar as canções de seu mais novo trabalho: "As flores do meu terreiro".  Assim como todos os seus discos anteriores, esse novo preza pela delicadeza, a qualidade do projeto gráfico e a escolha feliz do repertório.

No cenário do teatro, algumas das ilustrações do encarte do cd formavam o clima perfeito e acolhedor para se ouvir as canções da artista, que convidou alguns de seus parceiros  para o espetáculo. Consuelo de Paula, outra maravilha de nossa música que vale a pena ser conhecida, também marcou presença no show.


Recomendo demais não apenas o novo CD, mas todos os anteriores.  Kátya Teixeira é daquelas artistas imprescindíveis em nossa música. Além de fazer seu trabalho, ela participa ativamente do Projeto Dandô de Música, que faz um intercâmbio de artistas pela América Latina. Algo fantástico que vale a pena ser pesquisado e curtido por quem aprecia a MPB genuína, e que gosta também de conhecer o que se faz de melhor em termos de música atual no Brasil e no mundo.















domingo, 2 de abril de 2017

Bruno Capinan no Sesc Belenzinho - 01/04/17



Os privilegiados que estiveram ontem à noite na plateia do Teatro do Sesc Belenzinho, em São Paulo, presenciaram um espetáculo daqueles que merecem esse título. Bruno Capinan, cantor e compositor baiano, radicado no Canadá, está por aqui em turnê de lançamento de seu mais recente trabalho, o CD Divina Graça. Todas as canções do disco são de autoria de Bruno, algumas em parceria com Domênico Lancellotti e Bem Gil que também foram os músicos que acompanharam Bruno no show deste sábado. Domênio também é o produtor do CD e Bem Gil dividiu a co-produção com o artista.



O show do Belenzinho teve a direção artística de Ricky Scaff, direção musical de Domênico Lancellotti e Bem Gil, cenografia de Juliana Bestetti, iluminação de João Nunez, imagens de Cecilia Luccchesi, som de Gustavo Mendes, figurino de Lucas Menezes e produção da Inclinações Musicais

Com uma excelente presença de palco, carisma e seu gingado perfeito, Bruno hipnotizou os expectadores que viajavam com ele em suas letras cheias de sensualidade, beleza e magia, trazendo um pouco do universo baiano para a noite paulistana. O cenário e a projeção de imagens só reforçavam essa ideia, transformando o palco naquilo que ele deve ser: a fábrica de sonhos que nos proporciona o desligar da realidade e o mergulhar em um mundo perfeito onde só a beleza e arte dialogam e nos elevam.



Considero esse show mais do que pronto para brilhar nos palcos internacionais por onde ele vai trilhar. Divina Graça poderá ser visto no Canadá, em Portugal e no Japão. Mas antes disso, São Paulo ainda pode conferir o espetáculo no dia 27 de maio, no Itaú Cultural. Quem não pode ir no Belenzinho, não deve perder essa nova chance de conferir o espetáculo.
Bruno também estará se apresentando em São Paulo com o artista Jun Miyake na Arena Ibirapuera no dia 7 de maio, às 17h e no dia seguinte, 8/5 às 20h no Auditório do Ibirapuera.


Para conhecer mais sobre o trabalho de Bruno Capinan: Aqui




segunda-feira, 12 de setembro de 2016




Hooker, intensamente intenso

O domingo estava meio estranho, sem muita graça, com um certo peso no ar.
No final da tarde, eu tinha o show do Johnny Hooker para ir. Confesso
que não estava muito animada e pensei várias vezes em não ir.
Já tinha tido outras oportunidades de vê-lo, mas não sei porque nunca
dava certo. Só que desta vez, resolvi dar ouvidos à minha intuição e
fui.


Incrível, simplesmente incrível!
Hooker é fantástico. Tem uma performance admirável. Transborda
sensualidade por todos os poros. Absurdamente intenso.
Percorreu alguns ritmos com presença de palco, entrega, totalmente
visceral. O público integrado com o repertório canta todas as músicas
num coro que encanta e mostra a força desse artista.
O show fala do amor apaixonado, sofrido, rasgado, marginal. Hooker
vive cada música com teatralidade. Assim, surgem o amante, o
desiludido, o apaixonado, o sensual, o atrevido, o debochado, o
vingativo, o romântico.

Suas interpretações rasgam a alma e o coração dos apaixonados que em
algum momento da vida já viveram de forma passional, um amor.
A maioria das músicas é de sua autoria, mas mesmo as que não são, se
integram perfeitamente na temática do espetáculo.
A sintonia com a banda também é grande. Ela entra no clima criado por
Hooker e se entrega.
Hooker fecha o show com um comunicado: ele diz que a última música
representa a resistência a qualquer tipo de abuso. Qual não foi minha
surpresa quando ele fala que é uma música de AMOR. Na sua opinião, só
o AMOR é capaz de vencer qualquer resistência.
É nessa hora que ele me ganha por completo. Compartilho totalmente com
esse pensamento. Para mim, a única maneira de vencer qualquer tipo de
batalha é o AMOR.
Ele nos faz mais generosos, mais humildes, mais fortes, mais gentis,
mais humanos.
O amor é a única arma de transformação. Falo aqui sobre toda e
qualquer forma de amor.


Por isso, meu domingo terminou com um prazer muito grande.
Conhecer esse artista tão intenso.
Assistir a um show maravilhoso.
Saber que meu pensar não é isolado.
Tudo isso dá alento ao meu coração.
Então, vamos resistir dando e recebendo AMOR.

Gratidão JOHNNY HOOKER.

Texto de Christina Eloi
Fotos de Gustavo Henrique


quinta-feira, 27 de agosto de 2015

A Mansão do Caminho - Salvador - BA

Tá, eu sei que o blog é pra falar de música. Só que eu sou a sócia majoritária da bagaça aqui, então ninguém vai reclamar se eu cometer um "off topic". O assunto é muito extenso para as redes sociais.

Direto ao ponto: hoje, tive o privilégio de conhecer de perto a Mansão do Caminho.  Quem é espírita e conhece Divaldo Pereira Franco sabe o que isso significa. E para quem não é, eu explico. Divaldo é, simplesmente, o maior orador espírita do mundo. Já esteve em todos os continentes pregando a verdade, o caminho e a vida. Médium, tem centenas de livros publicados.  Sua mentora é Joanna de Ângelis, um espírito de luz que já ditou muitos livros para Divaldo, sendo a série psicológica uma verdadeira enciclopédia do bem viver. Tudo que arrecada com as vendas dos livros, DVDs das palestras, CDs, Divaldo aplica em sua obra maravilhosa: a Mansão do Caminho. Localizada em um dos bairros mais carentes de Salvador, a Mansão funciona como um verdadeiro oásis de luz para o local. Em um terreno imenso, com um lago e muitas construções, Divaldo e uma equipe grande, tanto de funcionários quanto de voluntários, presta um serviço inestimável à população.

Lá funcionam escolas e creches que atendem crianças de todas as idades. Todas ficam em tempo integral e recebem 5 alimentações por dia.  Na hora de irem para casa, recebem pães e leite para a família. Quando um visitante chega, para conhecer a obra, como fiz hoje, as crianças recebem com um sorriso e cantam para nós.  É emocionante ver aqueles rostinhos sorridentes e mostrando que estão muito bem assistidos. Conforme crescem, vão sendo transferidos de prédio, de acordo com a faixa etária. Um centro de saúde atende a todos que o procuram.  Os médicos são voluntários e há distribuição de medicamentos.  Um laboratório também funciona no local.

Uma unidade de parto normal foi inaugurada e uma parceria com o SUS criada.  Em um ambiente impecável, as mães fazem o pré-natal e dão à luz de forma natural.

Cursos profissionalizantes são oferecidos aos adolescentes. Cabeleireiro, culinária, pintura em tecidos, tapeçaria, padaria, aulas de música, tudo em instalações confortáveis, claras e impecáveis. O mais importante de tudo é que não há qualquer tipo de restrição para se ter acesso a esses benefícios. Não importa a religião da pessoa.  Nada é imposto.  Claro que existe o Centro espírita no local, mas apenas para quem deseja frequentar e conhecer o espiritismo.  Muitas famílias de evangélicos tem acesso ao que a Mansão oferece.

Essa obra maravilhosa é fruto do sonho de duas pessoas muito especiais: Divaldo Franco e Nilson de Souza Pereira.  Juntos, fizeram essa obra gigantesca que já beneficiou milhares de crianças e famílias. E ainda vai continuar fazendo isso por muito tempo.

A Mansão é também a residência de Divaldo, quando ele não está em suas viagens de divulgação da doutrina pelo mundo afora.  Ele também profere palestras no local e cria movimentos como o "Você e a Paz" que já faz parte do calendário de eventos da cidade.

Saber isso é uma coisa, agora, ir ao local e vivenciar tudo, é emocionante.  Hoje tive um dia muito especial e que vai ficar guardado pra sempre nas minhas lembranças mais caras.  Recomendo a todos que procurem conhecer o trabalho maravilhoso de Divaldo Franco.  É um ser de luz em nosso planeta.  Vale a pena se deixar banhar por essa luz e vibrar na faixa de onda que a Mansão possui,  Um farol iluminando a comunidade ao seu redor e fazendo com que as pessoas percebam que existe um caminho.  Joanna de Ângelis está presente em casa espaço da obra.  Sua luz é captada e retransmitida por Divaldo e por cada um dos trabalhadores do local.  Hoje foi um dos dias mais emocionantes que vivi nos últimos tempos.

sábado, 8 de agosto de 2015

Johnny Hooker - Casarão Ameno Resedá - 07/08/15

Alguém que nasce no Recife, com o nome de JOHN DONOVAN e é neto de irlandês, tem pouquissímas chances de passar desapercebido. Se for bonito, simpático e ainda por cima tiver talento, as chances praticamente caem para zero. John, ou melhor, JOHNNY HOOKER é muito jovem, acabou de completar 28 anos de idade, mas já tem um currículo digno de deixar muita gente madura assustada.

Já atuou como ator no cinema, em novela da Rede Globo e também como diretor e roteirista de um curta metragem.  Mas é no palco que Hooker mostra a que veio. É, sem dúvida, integrante daquele time de artistas que de vez em quando chega para sacudir as estruturas e arrastar multidões. Ele está com seu CD, por enquanto apenas virtual - Eu vou fazer uma macumba pra te amarrar, maldito! - nos primeiros lugares das plataformas digitais e ganhou o prêmio de melhor cantor na categoria popular do Prêmio Multishow desse ano.

Ao que tudo indica, as coisas estão apenas começando a acontecer na carreira desse artista incrível que hipnotiza as platéias pelo país afora. Convites surgem de todos os lados e em breve Portugal vai conhecer de perto o fenômeno brasileiro Johnny Hooker.

Ontem, Hooker fez sua segunda apresentação, com casa lotada, no Casarão Ameno Resedá, no bairro do Catete, no Rio de Janeiro. Com capacidade para cerca de 400 pessoas, o espaço ficou pequeno para tantas pessoas que queriam ver e curtir a apresentação do jovem artista Pernambucano.  Com uma banda excelente: Felipe Soares (guitarra), André Soares (baixo), Eduardo Guerra (bateria), Arthur Dantas (teclados), Michael Custódio (trumpete) e o sensacional Tiago Duarte (percussão), Hooker sacudiu, literalmente, o segundo andar da casa, que tremia ante o entusiasmo do público. Todos cantando junto com ele e vibrando com o show.

A apresentação de ontem foi especial, já que Hooker tinha feito aniversário no dia anterior e também por ter apresentado seu irmão mais novo, Daniel Donovan, que tocou com ele em público pela primeira vez.  É muito bom ver um artista com tanta empatia com seu público e alguém que ainda tem muito que mostrar.  Talento e criatividade não faltam a Johnny Hooker e acredito que ele ainda vai dar muito o que falar.  Que venha o futuro promissor e que a carreira dele só ganhe novos horizontes e que continue a conquistar multidões por todos os palcos por onde passar.







segunda-feira, 8 de junho de 2015

Duda Brack - Entrevista Exclusiva para o Blog

Foto: Divulgação

Em meio à correria entre ensaios, viagens, shows e o trabalho de divulgação de seu primeiro CD recém lançado, DUDA BRACK teve a gentileza de me conceder uma entrevista aqui para o blog.  Valeu, Duda!  E que tal conhecer um pouco mais sobre essa moça talentosa que ainda vai dar muito o que falar?


FM - Onde e quando a música entrou em sua vida?


DB - A música foi um afloramento que se deu na minha vida aos quinze anos, e que teve início através do popularesco “canto no chuveiro”. Minha relação com a música foi se estreitando quando eu percebi o ímpeto e a necessidade de cantar - por alcançar, com este ato, uma plenitude utópica. Foi então que comecei a me experimentar. Cantei em festas de amigos, formaturas, bares, grupos vocais...

Então não sei bem dizer onde e quando, exatamente, a música entrou na minha vida. A verdade é que ela sempre me moveu, e em um determinado momento foi inevitável devotar minha existência à ela.


FM - Você compõe também ou é apenas intérprete e instrumentista?


DB - Compor é algo com o qual as vezes o acaso me contempla. Me acontece, vira e mexe. Por vezes esbarro nisso, mas não é minha transa. Gosto mesmo é de recriar a criação alheia. 


FM - O RJ foi uma escolha?


DB - Decidamente.  Graças a Deus (e à internet também) a visibilidade acerca da produção musical está cada vez mais descentralizada, mas Rio e São Paulo ainda oferecem mais oportunidades - não só de trabalho, mas também no que tange ao fluxo de trocas artísticas e processo de criação.

Além disso, sempre tive família aqui e sempre gostei muito daqui também.


FM - Qual sua opinião sobre o momento atual da música brasileira no RJ e no Brasil de forma geral?


DB - O Brasil sempre foi, e segue sendo, um potente celeiro musical. Acho que vivemos um momento fértil, com uma diversidade estética muito linda. A internet é uma ferramenta que tem colaborado muito pra isso: ela expande o dialogo cultural e desfalece as fronteiras e divisórias entre vários estilos e linguagens.

Só acho uma pena que poucas coisas - dentre tantas sendo feitas -  tenham vazão e cheguem até o conhecimento do público. A música brasileira vai de bem a melhor. Já o mercado midiático brasileiro... 


FM - Como é conviver com tantos talentos de sua geração como Caio Prado, Diego Moraes, Daniel Chaudon, Filipe Catto, Dani Black,Bruna Caram, para citar apenas alguns.


DB - É lindo! São amigos queridos, pessoas incríveis, artistas imensos, com quem tenho o prazer de dividir a vida. Essa troca me alimenta, me ensina.


FM - Fale um pouco sobre como foi o seu encontro com Filipe Catto no show em SP.


DB - Foi D O C A R A L H O ! Aos mais pudicos: perdoem-me o palavrão, mas aqui o utilizo como advérbio de intensidade pra tentar dimensionar o quão lindo foi... 

Nosso encontro já tinha acontecido espiritualmente, antes de a gente se conhecer. Quando, enfim, conhecemo-nos, ficamos novos velhos amigos de infância à primeira vista. Rs. Filipe é uma forçinha da natureza; uma coisa linda de Deus; pessoa-alma generosa, artista-imenso-poderoso. É uma honra pra mim dividir o palco com ele. 


FM - Como foi o processo para chegar ao seu CD, " É" ?


DB - Esse disco é fruto dos atravessamentos que vem me acontecendo desde que eu mudei pro Rio.  

Primeiro veio a chegança das canções que compõem o disco. Todos os compositores presentes no disco são amigos. Conheço a obra de todos eles, e tive a oportunidade de ir pinçando canções com as quais eu me identificava (com exceção de “Eu sou o ar” que foi feita pra mim).

Durante esse processo, ocorreu também um processo meu (voz e violão) de compreender o que cada canção representava para mim e o que eu representava para cada canção. Isso me possibilitou já imprimir o meu olhar e a minha personalidade sobre as canções e distanciá-las do olhar dos compositores. Foi assim que eu apresentei elas aos meninos quando formei a banda. 

Quando o repertório estava quase todo definido, formei minha banda (Barbosa na bateria, Gabriel Ventura na guitarra, Yuri Pimentel no baixo). O meu ajuntamento com os meninos se deu por conta de um pedido de show que acabou caindo, mas a gente gostou tanto de tocar junto que seguiu desenvolvendo uma pesquisa de criação em cima desse repertório. Passamos uns oito meses ensaiando na sala da casa do Yuri e, quando a gente achou que tinha algo sólido e coeso em mãos, chamamos Bruno Giorgi pra produzir, gravar, mixar e masterizar. 
Gravamos as bases ao vivo, no estúdio Tenda da Raposa, no Rio. Depois gravamos complementos e vozes (muita coisa em casa, e algumas no estúdio O Quarto). Depois Bruno mixou e masterizou também n’O Quarto.


FM - Como vai ser a divulgação?  Além de POA, tem planos de shows em outras cidades?


DB - Planos temos muitos, né? Queremos rodar o mundo com esse trabalho... Mas é muito difícil pro artista novo e independente rodar. Temos umas série de custos pra viajar com o show que inviabiliza muita coisa. 

Estamos em um momento de formação de público. O alcance do trabalho ainda não o torna sustentável por si só. Além disso, é muito difícil conseguir apoio pra financiar, a maioria dos locais de show para artistas pequenos tem uma infra-estrutura muito ruim... Enfim.

Estamos fazendo o possível. Queremos ir logo pra São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Curitiba e Brasília. De concreto - agora que passou Porto Alegre (que foi dia 04 junho no Ocidente) -  temos Rio de Janeiro dias 19 e 20 de junho no Oi Futuro de Ipanema, pelo lindo projeto Levada 2015.