domingo, 25 de março de 2018

Duda Brack e Banda cantam Secos & Molhados

Em 1973 eu tinha 17 anos e pouco ouvia a música brasileira. Mesmo tendo sido um ano emblemático para a nossa música, quando grandes e importantes álbuns foram lançados, eu gostava mais de ouvir as baladas românticas americanas e inglesas, junto com o meu estudo para aprimorar a língua.  Os meus prediletos eram, naturalmente os Beatles em suas carreiras solo iniciantes, pós-separação e artistas como B J Thomas, Bee Gees, Carpenters, Cat Stevens, Elton John.

Um belo dia eu ouço falar em um conjunto que musicava poemas e que tinha um cantor que dançava de forma exótica e sensual. Fã de poesia desde sempre, logo me interessei e fui saber do que se tratava. O impacto foi imenso ao assistir pela TV os Secos & Molhados. Mais entusiasmada ainda fiquei ao saber que eles iam se apresentar no Teatro Thereza Raquel, pertinho de onde eu morava.
Junto com o meu então noivo (sim, naquela época era costume se ficar noiva...) fui assistir ao show do grupo e saí de lá completamente fã daquele estilo incrível de se cantar em português e usar poemas como letras das músicas. Os Secos & Molhados viraram referência para mim e o meu gosto dali em diante mudou radicalmente. Fiquei extremamente triste com a separação do grupo, logo depois do segundo disco, mas aquele repertório eu sabia de cor e nunca imaginei que um outro artista poderia interpretá-lo com tamanha força e qualidade.

Foram precisos 40 anos para que eu pudesse afirmar que sim, finalmente alguém conseguiu interpretar aquelas canções/poemas de forma tão forte e tão poética quanto o conjunto original. Sem medo de errar, afirmo que Duda Brack, acompanhada de feras como Paulo Rafael, Charles Gavin, Felipe Ventura e Pedro Coelho fizeram um show para lançar o CD "Primavera nos Dentes" que deixou orgulhosos os integrantes originais dos Secos &  Molhados.



Com figurinos incríveis e uma força imensa no palco, Duda hipnotizou a todos os expectadores presentes no Sesc Pompéia na noite do dia 23/3/18, dia em que assisti ao show.  Já tem alguns anos que acompanho o trabalho de Duda Brack e ela só me surpreende com seu talento crescente, sua segurança no palco e sua performance de tirar o fôlego.  Recomendo demais esse show e todos os próximos que essa grande e jovem artista ainda vai fazer.  O projeto "Primavera nos Dentes" é um sucesso e posso afirmar que se Ney Matogrosso fosse mulher, ele seria Duda Brack, sem sombra de dúvida!

Duda Brack e Gérson Conrad - Integrante original dos Secos & Molhados
Foto de Klaudia Alvarez

segunda-feira, 12 de março de 2018

Jorge Drexler em Fortaleza!

Foto de Jesus Cornejo



Jorge Drexler estreia turnê no Brasil na programação de 60 anos do Cineteatro São Luiz

Os ingressos começam a ser vendidos com cadeira marcada nesta quarta-feira (14), às 10h.


Em abril, mais precisamente no dia 8, às 18h, o Cineteatro São Luiz, equipamento da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult), recebe o cantor e compositor uruguaio Jorge Drexler, que estreia em Fortaleza a turnê no Brasil do seu novo álbum “Salvavidas de Hielo”, lançado em setembro de 2017. Os ingressos para o show começam a ser vendidos nesta quarta-feira (14/03), às 10h, na bilheteria do Cineteatro e através do site da Tudus (www.tudus.com.br) com os valores: R$ 60,00 a inteira e R$ 30,00 a meia. Para o evento, o equipamento lança uma novidade, a opção do público escolher o seu assento no momento da aquisição do ingresso.


Drexler é um dos cantores mais importantes de língua espanhola e ganhou destaque mundial em 2005, quando foi premiado com o Oscar de melhor canção original pela música “Al otro del río”, do filme “Diários de Motocicleta”. De lá pra cá suas músicas têm feito história compondo trilhas sonoras de vários filmes, além de inúmeras nomeações a prêmios, como: Grammy Awards, Grammy Latin e Prêmio de Música Espanhola.


Em Salvavidas de Hielo, o 13º álbum de sua carreira, Drexler destaca o minimalismo instrumental, que através unicamente do violão alcançou uma grande variedade de sons - no álbum, o violão é tocado de forma tradicional e outras alternativas. As 11 canções que compõem o álbum são inéditas e de autoria de Drexler.


São Luiz 60 anos


O Cineteatro São Luiz completa 60 anos em março de 2018, trazendo uma programação especial ao longo do ano, como destaca a diretora do equipamento, Rachel Gadelha: “Essa comemoração nos alegra e nos convida a seguir adiante cheios de sonhos, dispostos ao trabalho, reconhecendo trajetórias e cenários, reverenciando públicos e artistas. Seguimos sabedores de que essa casa merece todos os aplausos e uma vida longa. Que esse espetáculo nunca termine!”.


Espaço de grande valor simbólico, patrimonial e afetivo para a população cearense, o Cineteatro São Luiz chega ao ciclo sexagenário sendo um dos poucos cinemas de rua ainda em atividade no Brasil. Um lugar de formação de plateia, público, audiência, mas sobretudo, de formação de repertórios artísticos e culturais, capazes de ampliar horizontes e conhecimentos, capacidade crítica e inventiva de ser e de estar no mundo.


Ao longo do ano serão realizadas programações especiais alusivas à data, incluindo shows, peças teatrais, espetáculos de dança, mostras de cinema, entre outras atividades.



SERVIÇO


Evento: Jorge Drexler estreia turnê brasileira na programação de 60 anos do Cineteatro São Luiz

Data: 08/04, às 18h

Ingressos: R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia)

Restrição dos ingressos no valor de meia-entrada até 40% da capacidade do espaço

● Venda sem taxas de conveniência: Bilheteria do Cineteatro São Luiz Fortaleza (Endereço: Rua Major Facundo, 500. Centro - Fortaleza - CE). De terça a sábado, das 10h às 18h30.

● Venda com taxa de conveniência: www.tudus.com.br 

Classificação: livre

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Wanderléa - Foi Assim - Autobiografia



"Todos nós somos pura energia condensada e podemos usá-la para o bem, gerando camadas de leveza, harmonia, alegria e confiança ao nosso redor... Penso que o nosso poder vai além de nossa intelectualidade e movimentos. A humanidade precisa se preparar para perceber suas autênticas potencialidades, materializando coisas melhores.Somos uma máquina fantástica conectada por um comando energético maior de sabedoria na luz. Temos que emanar boas vibrações."
(Wanderléa - Foi Assim - Pág. 331)


Quem me conhece sabe como eu amo ler, em especial biografias e autobiografias.  Adoro conhecer as histórias por trás das personas que vemos no mundo das artes. Quando criança, eu tinha uma visão bem louca dos artistas. Achava que eles eram pessoas diferentes do resto de nós. Imaginava uma classe meio que divina, que vivia em um mundo à parte e que nunca ia ao banheiro, por exemplo. Para mim, as pessoas que eu enxergava sob as luzes do palco e revestidas com aquele glamour não precisavam fazer o que fazíamos!  Viviam apenas para nos encantar e nada mais.

Hoje terminei de ler a autobiografia de Wanderléa. Ela tem apenas mais 10 anos que eu, mas quando eu tinha quase 10 de idade e a assistia no programa Jovem Guarda, eu era apenas uma menina e ela a chamada "Rainha da Juventude", já cantava na TV e estava ao lado dos meus ídolos da época. Hoje, somos duas mulheres carregadas de história em suas vidas e a diferença de idade não existe quando o tempo passa. E que história de vida!  Um livro lindo, comovente em que ela se revela por inteiro. Abre seu lindo coração e nos revela a pessoa humilde, humana e sobretudo a mulher forte que é.

Em capítulos curtos, quase que instantâneos de sua vida tão cheia de atribulações e tragédias familiares e pessoais, Wanderléa nos encanta com sua força, renúncia, espiritualidade e fé. Seu alto astral e sua doce voz parecem sair das páginas diretamente para os nossos ouvidos e a sensação que tive ao terminar o livro foi de alegria por ter alguém tão especial no meio artístico. Uma mulher íntegra, que sempre lutou pelo que quis e pelo que acredita, mas que renunciou muito em detrimento aos que amou(ama).  Uma figura humana incrível e uma artista sempre em busca do melhor, do que lhe agrada, mas sobretudo pensando sempre nos outros, mais que em si mesma. 

Recomendo demais a leitura e também parabenizo o jornalista Renato Vieira que trabalhou junto com Wanderléa nessa obra. Livro lindo e imperdível para quem curte a MPB.


Wanderléa: Foi Assim - Autobiografia
Editora Record - 1a edição 2017 - 390 págs
Pesquisa e Edição de Renato Vieira
ISBN 978-85-01-11204-0

domingo, 14 de maio de 2017

Kátya Teixeira no Sesc Belenzinho - 13/05/17

Nestes tempos difíceis, áridos e temerosos em que vivemos, é um grande privilégio poder assistir a um show onde a leveza, a poesia e a ARTE predominam. Kátya Teixeira e seus convidados fizeram um show impecável ontem, no Sesc Belenzinho. Com o seu " terreiro" montado no palco, Kátya esbanjou talento e simpatia ao apresentar seus violões e interpretar as canções de seu mais novo trabalho: "As flores do meu terreiro".  Assim como todos os seus discos anteriores, esse novo preza pela delicadeza, a qualidade do projeto gráfico e a escolha feliz do repertório.

No cenário do teatro, algumas das ilustrações do encarte do cd formavam o clima perfeito e acolhedor para se ouvir as canções da artista, que convidou alguns de seus parceiros  para o espetáculo. Consuelo de Paula, outra maravilha de nossa música que vale a pena ser conhecida, também marcou presença no show.


Recomendo demais não apenas o novo CD, mas todos os anteriores.  Kátya Teixeira é daquelas artistas imprescindíveis em nossa música. Além de fazer seu trabalho, ela participa ativamente do Projeto Dandô de Música, que faz um intercâmbio de artistas pela América Latina. Algo fantástico que vale a pena ser pesquisado e curtido por quem aprecia a MPB genuína, e que gosta também de conhecer o que se faz de melhor em termos de música atual no Brasil e no mundo.















domingo, 2 de abril de 2017

Bruno Capinan no Sesc Belenzinho - 01/04/17



Os privilegiados que estiveram ontem à noite na plateia do Teatro do Sesc Belenzinho, em São Paulo, presenciaram um espetáculo daqueles que merecem esse título. Bruno Capinan, cantor e compositor baiano, radicado no Canadá, está por aqui em turnê de lançamento de seu mais recente trabalho, o CD Divina Graça. Todas as canções do disco são de autoria de Bruno, algumas em parceria com Domênico Lancellotti e Bem Gil que também foram os músicos que acompanharam Bruno no show deste sábado. Domênio também é o produtor do CD e Bem Gil dividiu a co-produção com o artista.



O show do Belenzinho teve a direção artística de Ricky Scaff, direção musical de Domênico Lancellotti e Bem Gil, cenografia de Juliana Bestetti, iluminação de João Nunez, imagens de Cecilia Luccchesi, som de Gustavo Mendes, figurino de Lucas Menezes e produção da Inclinações Musicais

Com uma excelente presença de palco, carisma e seu gingado perfeito, Bruno hipnotizou os expectadores que viajavam com ele em suas letras cheias de sensualidade, beleza e magia, trazendo um pouco do universo baiano para a noite paulistana. O cenário e a projeção de imagens só reforçavam essa ideia, transformando o palco naquilo que ele deve ser: a fábrica de sonhos que nos proporciona o desligar da realidade e o mergulhar em um mundo perfeito onde só a beleza e arte dialogam e nos elevam.



Considero esse show mais do que pronto para brilhar nos palcos internacionais por onde ele vai trilhar. Divina Graça poderá ser visto no Canadá, em Portugal e no Japão. Mas antes disso, São Paulo ainda pode conferir o espetáculo no dia 27 de maio, no Itaú Cultural. Quem não pode ir no Belenzinho, não deve perder essa nova chance de conferir o espetáculo.
Bruno também estará se apresentando em São Paulo com o artista Jun Miyake na Arena Ibirapuera no dia 7 de maio, às 17h e no dia seguinte, 8/5 às 20h no Auditório do Ibirapuera.


Para conhecer mais sobre o trabalho de Bruno Capinan: Aqui




segunda-feira, 12 de setembro de 2016




Hooker, intensamente intenso

O domingo estava meio estranho, sem muita graça, com um certo peso no ar.
No final da tarde, eu tinha o show do Johnny Hooker para ir. Confesso
que não estava muito animada e pensei várias vezes em não ir.
Já tinha tido outras oportunidades de vê-lo, mas não sei porque nunca
dava certo. Só que desta vez, resolvi dar ouvidos à minha intuição e
fui.


Incrível, simplesmente incrível!
Hooker é fantástico. Tem uma performance admirável. Transborda
sensualidade por todos os poros. Absurdamente intenso.
Percorreu alguns ritmos com presença de palco, entrega, totalmente
visceral. O público integrado com o repertório canta todas as músicas
num coro que encanta e mostra a força desse artista.
O show fala do amor apaixonado, sofrido, rasgado, marginal. Hooker
vive cada música com teatralidade. Assim, surgem o amante, o
desiludido, o apaixonado, o sensual, o atrevido, o debochado, o
vingativo, o romântico.

Suas interpretações rasgam a alma e o coração dos apaixonados que em
algum momento da vida já viveram de forma passional, um amor.
A maioria das músicas é de sua autoria, mas mesmo as que não são, se
integram perfeitamente na temática do espetáculo.
A sintonia com a banda também é grande. Ela entra no clima criado por
Hooker e se entrega.
Hooker fecha o show com um comunicado: ele diz que a última música
representa a resistência a qualquer tipo de abuso. Qual não foi minha
surpresa quando ele fala que é uma música de AMOR. Na sua opinião, só
o AMOR é capaz de vencer qualquer resistência.
É nessa hora que ele me ganha por completo. Compartilho totalmente com
esse pensamento. Para mim, a única maneira de vencer qualquer tipo de
batalha é o AMOR.
Ele nos faz mais generosos, mais humildes, mais fortes, mais gentis,
mais humanos.
O amor é a única arma de transformação. Falo aqui sobre toda e
qualquer forma de amor.


Por isso, meu domingo terminou com um prazer muito grande.
Conhecer esse artista tão intenso.
Assistir a um show maravilhoso.
Saber que meu pensar não é isolado.
Tudo isso dá alento ao meu coração.
Então, vamos resistir dando e recebendo AMOR.

Gratidão JOHNNY HOOKER.

Texto de Christina Eloi
Fotos de Gustavo Henrique