
sábado, 23 de fevereiro de 2008
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Show com Sonekka, Álvaro Cueva e Fernando Cavallieri

Show : ”Trincheira dos Sentidos” com Álvaro Cueva, Fernando Cavallieri e Sonekka
Assistindo esse vídeo de apenas 1 minuto você ja vai ter todas as informações. Senão copie do rodapé, convide os amigos e ajude a fazer a festa. Se ainda não estiver convencido de que vai ser legal, leia tudo. Vai ser show!
Assistindo esse vídeo de apenas 1 minuto você ja vai ter todas as informações. Senão copie do rodapé, convide os amigos e ajude a fazer a festa. Se ainda não estiver convencido de que vai ser legal, leia tudo. Vai ser show!
Já faz algum tempo que pessoas influentes do meio musical vêm a público paraapregoar o fim da canção, que não há mais bons compositores, que tudo que era bom ficou no passado e outras coisas do gênero. Foi refletindo sobre isso que três dos mais promissores compositores paulistanos da nova geração resolveram subir juntos ao palco do Café Piu-Piu na quarta-feira, dia 20 de fevereiro para rebater este tipo de afirmação e mostrar que a canção está mais viva do que nunca, à revelia dos desvios do mercado musical, fazendo arte pela beleza da própria.
Álvaro Cueva, Fernando Cavallieri e Sonekka se conheceram há cinco anos nos encontros autorais da Rua Caiubi, 420. Encontros que hoje rolam em diversos lugares da grande São Paulo e até em outros Estados. Lá tomaram contato com compositores referenciados como Tavito, Zé Rodrix, Celso Viáfora e passaram a compor entre si e com outros tantos compositores desta cena.
O show
"Trincheira dos sentidos" traz uma amostra significativa dessa efervescência cultural através canções dos três compositores que percorrem todas as nuances de estilos musicais, desde a verve sambista de Fernando Cavallieri em "Samba de uma noite só"- tema da novela "Caminhos do coração" da Record - passando pela aplaudidíssima "Bosconeana" de Álvaro Cueva e a verve pop de Sonekka em hits indie como o blues "Cisco no olho".São mais de 20 canções com letras inspiradas e na medida para todos os gostos musicais.O show conta ainda com a participação de Tavito, autor de mega sucessos como “Rua Ramalhete” e “Casa no Campo” e também participações das cantoras Vanessa Moreno, Beatriz Silveira e Lis Rodrigues. Acompanham o show o percussionista Bebê Do Góes, Alê Cueva ao violão, Nando Lee, na guitarra e violão aço e Marcus Torrada no baixo.
Álvaro Cueva: sócio do Clube Caiubí de Compositores, lançou em 2005 seu primeiro álbum independente, 'Canabi Emotiva', com participação de Alexandre Cueva, Zé Rodrix, Toninho Ferragutti, Proveta e Marcelo Pretto, entre outros. Em 1989 lançou, junto com a Banda Rés o LP Rés Derelictae, com várias de suas composições. Participou de vários Festivais (Tatui, Avaré, Carrefour, Projeto Nascente - USP etc.). Formou-se em Artes Cênicas, tendo na teatralidade de suas canções uma das características mais marcantes de seu trabalho. Prepara seu segundo disco.
Fernando Cavallieri:prepara seu 4º CD. Lançou em 1999 o “Evoé!”, Em 2004 lançou seu 2º álbum “In Alpha...”, gravado ao vivo. Em 2006 o 3º CD, “Inefável”. Tem participado de vários programas de rádio e televisão como “Terra Viva”, da Bandeirantes, Na Palma da Mão, da BANDVALE, “Vivendo e Convivendo” de Rede Vida, Cena Musical, Street Tv, TVAlphaville, “Programa do Dia” da rádio CBN . Seu “Samba de Uma Noite Só”, na trilha sonora da novela “Caminhos do Coração” da Rede Record, foi classificado e premiado em vários Festivais, incluindo o 1º Festival de Samba Paulista, em 2007. Estreou em Março de 2007, no dia 13, no Café PIU-PIU, o Espetáculo “Todas Numa Noite Só...” no qual 14 cantoras de vozes marcantes e estilos diversos interpretam suas composições. O show foi gravado ao vivo e será lançado em 2008.
Sonekka: Estreou em CD em 2003 com "Incríveis Amores", em 2005 montou o espetáculo "Dois em Umas" com o compositor Zé Edu Camargo só parcerias de ambos inovando ao brindar a platéia com CD virgem e encarte do show que foi gravado e pôde ser baixado livremente. Acaba de lançar seu segundo CD "Agridoce", prêmio "London Burning" de melhor disco na categoria MPB em 2007.O CD foi lançado em 25 países pelo iTunes e o selo Koala Records do Japão. Sua voz pode ser ouvida na novela "Amor e Intrigas" da Rede Record. Tem canções gravadas por inúmeros artistas da música independente, inclusive no exterior.
Onde? Café Piu Piu
Endereço: Rua Treze de Maio, 134
Bela Vista - Centro - 3258-8066
Quando: Dia 20/02, quarta, 21h30.
Preço(s): Couvert art: R$ 12,00
Capacidade: 320 pessoas
Perfil: Para ir com os amigos
Público: Descontraído
Informações adicionais sobre os artistas estão amplamente disponibilizadas na internet.
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Abel Silva - Letristas, esta raça !
Artigo de ABEL SILVA, publicado no Jornal “Rádio X” - O seu jornal do rádio– Ano II No. 5 – 1990 – Editores: Renato Ferreira e Oscar Marron Filho.LETRISTAS, ESTA RAÇA!
Vamos logo esclarecer, leitor: isto não é nenhum estudo crítico e/ou analítico não. Fique frio. É puro ôba ôba mesmo. Celebração. Testemunho de amor e gratidão aos poetas brasileiros das canções que fizeram e fazem minha cabeça. E, certamente, a sua.
Você já deve ter ouvido falar de letristas. De passagem, claro. É aquele cara para quem as pessoas chegam, e dizem: “mas aquela música é sua ?” Letrista é sempre o da tabelinha: dá e recebe. Recebe e dá. Por favor, não confundir com os neofranciscanos que não dão, recebem e entregam. Letrista vive do passe – sua glória é deixar o parceiro na cara do gol. É bonito o exercício da parceira! Eu adorava quando ouvia no rádio que tal música era de uma dupla. Imaginava: que coisa linda, duas pessoas se juntam para fazerem uma canção!
Depois descobri que esta é mais uma das lições populares. Ainda agora o Carlos Cachaça contou que o Cartola chegava para ele e dizia: ô preguiçoso, acaba este samba aí... Isto é parceria. Alegria da arte compartilhada.
Um dos orgulhos de minha vida é ser letrista. Poeta de canções. E como tem gente que vive disso no Brasil! Total, integralmente. E como tem quem gostaria de cometer uma letrinha ou outra e imaginá-la no ouvido do povo. Ou no olvido, o que é sempre mais provável. Pertenço a uma geração que somou algumas boas dezenas de nomes ao que de melhor existe em música brasileira. São hoje uns rapazes e moças com quatro dezenas de anos nas costas, mas a maioria em excelente estado de conservação física e poética. E quase todos confessam: foi Vinícius que, no meio da encruzilhada, apontou: é por aqui, moçada. Saiam dessa de poeta engavetado, “superior”, e caiam no samba. Façam a poesia voar com as canções porque foi assim, junto com as primeiras e toscas melodias humanas, que ela nasceu, muito antes da possibilidade da escrita, milênios antes do livro e da tirania do olho, lá na raiz dos primeiros gritos e sussurros, foi lá que nasceu a poesia e ela foi desde o princípio comunitária, tribal: musical ! E além do mais vocês sabem, cambada de sacanas, que isto aqui é uma terra de analfabetos e belas mulheres e pra ser entendido por elas e, com sorte, amado por elas, o melhor que vocês fazem é cantar seus versinhos ao violão. Sábio Vinícius de Moraes !
Mas pra ele não foi nada fácil essa estória de ser compositor popular. Nunca é fácil pros pioneiros. Foi malhado pacas. Manuel Bandeira, por exemplo, achava que Vinícius estava “facilitando”, caindo de ní caindo de nneiros. Foi malhado pacas. Manuel Bandeira, por exemplo, achava que Vin amado por elas, o melhor que voc escrita,vel , apelando. Ele andou fazendo umas letras, mas esclarecia sempre que aquilo não era propriamente poesia: que bandeira do grande Bandeira ! E logo ele, um poeta tão musical. Tanto que já o andaram maltratando em várias canções, quem sabe por vingança... Mas Bandeira não era o único. Na verdade, os poetas em geral exercitavam uma certa superioridade: poesia musical era coisa de iletrados. Folclore. E compositor popular era pobre e, geralmente, negro ou mestiço: era dose pra um literato !
Mário de Andrade entendia o valor dos poetas das canções. Mas Vinícius foi mais longe: se transformou num deles.
É claro que a poesia musical, tanto quando a falada, é diferente da escrita. Só a voz humana sonorizando-a ao contrário do olho, silenciando-a – já é uma diferença radical. Como a poesia musical se realiza no som, isto é, no espaço sonoro e não visual, algumas características – como o uso da rima, por exemplo – permanecem nela (embora não obrigatoriamente) enquanto praticamente deixaram de existir na poesia escrita. A poesia musical busca algum tipo de emoção comunitária, ritualística, enquanto a escrita se não despreza esta “emoção de multidões’, também não a corteja. Tudo bem, são diferentes. Mas por que da diferença tem que surgir a hierarquia e não a diversidade ? No azul, pardal!
Há boa e má poesia literária e musical.
Graças à Vinícius e à qualidade da poesia das gerações de poetas posteriores a ele, hoje este sentimento de quase condescendência de literatos em relação ao letrista é minoritário e anacrônico. Mas permanece...na maioria dos críticos ! Por alguma razão ainda não totalmente esclarecida (embora já tenham ocorrido várias tentativas de explicação psico-analíticas, político-culturais e o escambau), a maioria dos nossos críticos musicais trata o letrista de uma forma que faria inveja aos antigos censores militares pela eficiência de seus métodos: negam créditos, “esquecem” nomes, trocam uns pelos outros, enfim, nos colocam num saco de gatos anônimos. O que resta de um autor quando lhe é negada a autoria ?
Mas joguemos o jogo: “não sou eu quem vai dizer que você não teve pique”. O letrista, meu chapa, é muito mais que um fazedor de versinhos musicais, programador de palavras cantáveis. É quem informa o primeiro conceito de poesia – e, na arrasadora maioria das vezes no Brasil, o único – para milhões de pessoas. É ele o articulador político, são letristas os primeiros organizadores da luta pelo direito autoral, os que denunciaram e denunciam o racismo, os autoritarismos, as repressões, a caretice e a prepotência, os que expressam as minorias, os desvalidos, os sem vez nem voz, são eles que cantam a utopia e a liberdade, os que traduzem a dor e a alegria do povo. A palavra cantada é a pedra na vidraça do poder, o coquetel molotov no meio dos cacetetes e capacetes. É também a palavra musical que striptiza teus sentimentos mais secretos, dá voz à tua dor de amor, teu ciúme e desespero. Sem a palavra cantada você seria inexoravelmente mais só e silencioso.
E finalmente: quem no mundo de hoje se interessaria por este exótico código a que chamamos Língua Portuguesa, se não porque voam por aí, levadas pela voz dos intérpretes, as sedutoras palavras dos letristas brasileiros ?
Por isto leitor, grite comigo: SALVE O COMPOSITOR POPULAR !!!
Abel Silva faz canções para o rádio, como Jura Secreta, Festa do Interior e Amor Escondido.
Abel Silva - Os discos
Abel Silva - Ao pé da letra - foi lançado em 1988 e reuniu alguns dos grandes sucessos do compositor com diferentes parceiros e pelas vozes dos grandes intérpretes que consagraram suas canções como Elis Regina, João Bosco e , principalmente, Raimundo Fagner.ABEL SILVA - AO PÉ DA LETRA
Lado A
1 - Festa do interior (Moraes Moreira/Abel Silva) - Sérgio Mendes
2 - Merengue (Robertinho de Recife/Abel Silva) - Robertinho de Recife e Gal Costa
3 - Quando chega o verão (Dominguinhos/Abel Silva) - Dominguinhos e Luiz Gonzaga
4 - Bicho estranho (Sueli Costa/Abel Silva) - Joanna
5 - Asa Partida (Fagner/Abel Silva) - Fagner
6 - Trasnparências (Roberto Menescal/Abel Silva)
Lado B
1 - O primeiro jornal (Sueli Costa/Abel Silva) - Elis Regina
2 - Jura Secreta (Sueli Costa/Abel Silva) - Fagner
3 - Simples carinho (João Donato/Abel Silva) - Ângela Rô Rô
4 - Desenho de giz (João Bosco/Abel Silva) - João Bosco
5 - Rosa do viver (Sueli Costa/Abel Silva) - Maria Bethânia
6 - Quando o amor acontece (João Bosco/Abel Silva) - João Bosco
Em 2000, junto com o grande violonista cearense Nonato Luiz, Abel Silva gravou o CD "Baú de Brinquedos" em que registra suas parcerias com Nonato. Devido a sua grande afinidade com os músicos cearenses e tendo em Raimundo Fagner um dos grandes intérpretes de suas canções, muitos pensam que Abel Silva é nordestino, mas ele é carioca.O Cd foi gravado nos estúdios Ararena, em Fortaleza e traz a participação especial de Fagner na faixa título. As outras músicas são interpretadas pelo próprio Abel.
BAÚ DE BRINQUEDOS - ABEL SILVA E NONATO LUIZ
1- Baú de Brinquedos - voz: Fagner
2- Tanta coisa da vida
3- Às vezes
4- A flor e o passageiro
5 - Febre
6 - Mouro blues
7 - Só mais esta vez (Artifícios de mulher)
8 - Na beira do rio, na beira do mar
9 - Janela vazia
10 - Boca de mulher
11 - Desde menino
12 - Sorriso breve
13- Outra história
14 - Aquele olhar
15 - A flor e o passageiro (declamada)
Todas as músicas são de autoria de Abel Silva e Nonato Luiz
Abel Silva - O livro
MUITO PRAZEREu sou assim
Quem quiser gostar de mim
Eu sou assim
Wilson Batista
Não posso lhes dizer quem sou
porque me ocorre não ser exato
e desconfiar dos seguros
dos abstêmios e dos inocentes.
Relâmpagos, marés, triângulos,
amo as naturezas pontiagudas
e os devastados pela paixão.
Amo a água e o vento
que ensinam o método dos arrancos
e aos espasmos trituram
rochedos milenares.
Amo intensamente o mar
e sua capacidade de ser ao mesmo tempo
de frente
e secreto.
Amo os cavalos
que Clarice Lispector chamou de
“os mais nus dos animais. ”
Amo os colibris, os tiês e os sabiás
mas respeito a grande capacidade de organização de massas
dos pardais.
Tenho uma sincera antipatia pelos pombos.
eles burocratizam o vôo e
pombas, como rodopiam pra comer alguém...
Considero todas as religiões boas
pra quem gosta de dizer
amém.
Não amo o dinheiro
mas não tenho preconceito.
cá pra nós, é mesmo vil o tal metal !
eu concluo isto toda vez que recebo
o meu Direito Autoral.
Nascido em fevereiro
imagino algumas relações naturais
por uma ótica ao revés:
sonho peixes pescando as gaivotas pelos pés.
Amo a palavra
e entendo o desamparo de quem não consegue pronunciar
PROBLEMA, CLÁSSICO E METEOROLOGIA.
Todos os infernos existem
mas pra ser sincero
eu não mereço nenhum.
Tiro de letra qualquer uniforme
e sairia feliz na Beija-Flor
num terno de estopa:
meu andar é que me leva
não a minha roupa.
Não ponho cartas
não jogo búzios, não leio horóscopos
não bebo destas minas
astrais:
“nada está escrito”
como ensina
Octavio Paz.
Pois é,
eu sou assim:
muito prazer, Abel.
não seja Caim.
(Texto de apresentação para os espetáculos do autor no projeto POETA, MOSTRA A TUA CARA de Solange Kafuri).
In: “Só uma palavra me devora” – Abel Silva – Ed. Record, Rio de Janeiro, 3ª, ed, 2001
Páginas 146 a 148.
Assinar:
Postagens (Atom)